Todo mês recebo pelo menos uma proposta comercial de agência concorrente que promete "SEO, AEO e GEO integrados". Na hora que abro o escopo, é o mesmo trabalho antigo de SEO com dois nomes novos colados por cima. Vou separar as três coisas de verdade, porque um cliente que compra promessa em vez de trabalho descobre tarde demais que pagou pelo mesmo hambúrguer com molho novo.
SEO: continua sendo a fundação
Search Engine Optimization é a disciplina de fazer o Google entender, ranquear e mostrar sua página numa lista de dez links. Ela não morreu. Ela virou infraestrutura. Se o SEO técnico da sua marca não está de pé, nenhuma das outras siglas se sustenta por cima. É o encanamento.
O que ainda vale, sem exceção:
- Acesso técnico limpo — sitemap, robots, canonical, Core Web Vitals decentes, HTML servido rápido.
- Autoridade por links — a IA lê o mesmo grafo que o Google. Sem autoridade, sua marca não vira fonte.
- Intenção de busca — a página precisa responder o que a pessoa perguntou. Isso vale para busca humana e para geração de resposta.
O que virou enfeite:
- Keyword density — a máquina lê significado, não repetição.
- Meta description escrita para clique — a resposta gerada substitui o snippet.
- Blog corporativo de dois mil caracteres com um CTA — nenhum modelo cita esse formato.
AEO: Answer Engine Optimization
AEO é a disciplina de fazer sua página virar a resposta. É o pedaço mais mensurável do jogo novo, porque o output é claro: ou o featured snippet, o AI Overview e o painel de resposta pegam sua página como fonte, ou não pegam. Aqui a técnica dominante é editorial, não de código.
O que funciona:
- Primeira frase resposta — resolve a pergunta no primeiro parágrafo, sem introdução.
- Estrutura em pergunta e resposta — H2 com a pergunta, parágrafo curto com a resposta.
- Tabela comparativa — é o formato que a IA mais copia literalmente.
- Definição objetiva — "X é Y que faz Z" numa frase.
- FAQPage bem marcado — dá contexto extra para o modelo escolher sua página.
Se um artigo seu ainda começa com "no mundo dinâmico dos negócios atuais", ele não é AEO. Está queimando o pedaço do texto que a máquina lê com mais peso.
GEO: Generative Engine Optimization
GEO é o mais amplo dos três, e por isso o mais mal usado. É a disciplina de fazer uma marca ser reconhecida e citada por sistemas generativos: ChatGPT, Gemini, Perplexity, Claude, Copilot. Envolve AEO no nível da página, mas ele opera acima disso, no nível da marca.
A diferença prática: AEO é ganhar uma citação num artigo específico. GEO é ganhar reconhecimento de entidade, de modo que qualquer pergunta relevante no seu setor traga sua marca como possibilidade natural.
O que compõe GEO:
- Presença consistente em fontes que o modelo lê com peso — Wikipedia, LinkedIn corporativo, portais setoriais com autor identificado, imprensa relevante.
- Grafo de entidade coerente — dados estruturados de
Organization,Person,LocalBusinessapontando para os mesmos perfis externos viasameAs. - Autor humano identificado — biografia, credenciais, histórico.
- Marca definida em uma frase — a IA cita quem consegue descrever objetivamente. Se a sua descrição varia entre home, LinkedIn e imprensa, ela omite.
- Medição de citação real — sem isso, você não sabe se está progredindo.
A tabela que uso em reunião de proposta
| Sigla | Objeto | Métrica | Tempo de resultado |
|---|---|---|---|
| SEO | Página no ranking | Posição, tráfego orgânico | 3 a 9 meses |
| AEO | Página como resposta | Aparição em AI Overview, snippet | 1 a 4 meses |
| GEO | Marca como entidade | % de citação em perguntas relevantes | 3 a 12 meses |
As três disciplinas se sustentam uma na outra. Fazer GEO sem SEO é construir prédio sem fundação. Fazer SEO sem AEO é preencher um índice antigo. Fazer AEO sem GEO é ganhar uma citação e sumir na semana seguinte.
Onde a maioria das agências ainda entrega errado
Vejo três padrões repetindo:
Vendem GEO como palavra-chave. Colam "otimização para IA" no escopo, entregam SEO clássico com mais links internos, e cobram 40% a mais. O cliente não tem como cobrar o resultado porque não existe métrica combinada.
Vendem AEO como redator melhor. Pagam mais o redator, mudam o formato de dois artigos, e chamam de "otimização para snippet". Sem estrutura de página, sem dados estruturados, sem interconexão pilar/satélite. Fica bonito de ler e continua invisível.
Não medem citação de verdade. Mostram print de ChatGPT em relatório mensal. Print não é medição. Medição é rodar as mesmas perguntas repetidamente, em modelos diferentes, em cidades diferentes, e reportar a taxa. Sem isso, o cliente não sabe se pagou por nada.
O que uma agência séria precisa saber fazer
- Auditoria técnica que abre o site pelo agente da IA e reporta o que ele viu, não o que o navegador viu.
- Linha de base de citação com denominador (X perguntas, N execuções, taxa por modelo).
- Arquitetura pilar e satélite escrita para virar resposta, não para caber em WordPress.
- Trabalho de entidade em pelo menos cinco fontes externas com
sameAsconsistente. - Medição semanal de citação com relatório de share of voice contra concorrentes definidos no início.
É esse o pacote que a Vynco tenta transformar em software rodando, e é o que a WB.P entrega como serviço em contratos maiores. Quando a agência não separa as três disciplinas com clareza, o cliente vai perceber sozinho três meses depois, quando abrir o relatório e não conseguir extrair uma decisão dele.